MUNDO VIRTUAL

A palavra bullying tem origem na língua inglesa e faz referência a bully, que entendemos como “valentão”, aquele que maltrata ou violenta de forma constante outras pessoas por motivos supérfluos. É justamente esse ato de maltratar ou violentar o outro de forma sistemática e repetitiva que é denominado bullying.Falamos de cyberbullying, então, quando a agressão se passa pelos meios de comunicação virtual, como nas redes sociais, telefones e nas demais mídias virtuais.

Muito embora o cyberbullying não consista em agressões físicas, e por isso é comumente visto como menos danoso, tem consequências tão ou mais graves quanto as do bullying físico. O abuso sofrido pela vítima do bullying virtual é, em sua maioria, de cunho psicológico, no entanto ela pode chegar a se tornar física em casos extremos. Ameaças de morte, agressão física e publicação de informações pessoais de vítimas são alguns dos meios mais violentos de cyberbullying, já que coloca a vítima em situação de risco e constante apreensão diante da possibilidade de um atentado contra sua vida.

Os ataques sofridos por uma vítima de cyberbullying são geralmente direcionados a características pessoais da vítima e são feitas em meio público, denegrindo a imagem pública da vítima e afetando sua autoestima. O abuso é constante e pode tomar grandes proporções, já que a dinâmica do mundo online é enorme e, na maioria das vezes, impossível de se controlar. O cyberbullyingé ainda permanente, uma vez que ao serem jogadas na rede online as informações lá permaneceram por tempo indeterminado.

A violência virtual tem impacto real na vida de quem a sofre
A violência virtual tem impacto real na vida de quem a sofre

A agressão contínua pela qual uma vítima de cyberbullying passa pode trazer consequências graves como trauma psicológico, isolamento social, desenvolvimento de problemas relacionados à depressão, podendo até mesmo levar a vítima ao suicídio. O agravante do bullying virtual é a constante agressão que o agressor é capaz de infligir sobre seu alvo, uma vez que, diferente do bullying convencional em que a vítima tem contato presencial limitado com seu agressor (geralmente na escola), no mundo virtual o agressor tem sempre a vítima ao seu alcance, a qualquer hora do dia ou da noite.

Outra característica marcante do cyberbullying é que o agressor nem sempre, ou quase nunca, é identificado, uma vez que é possível manter-se anônimo no mundo virtual. Estudos indicam que essa impessoalidade pode ser um dos agravantes da epidemia desse fenômeno, uma vez que o contato virtual e indireto pode dessensibilizar as partes envolvidas na agressão, já que não há contato direto com o sofrimento da vítima ou com as consequências do seus atos.

 

PEDOFILIA VIRTUAL

 

Numa tarde de quarta-feira, em um shopping center na região metropolitana de Cuiabá, Cristina* estava sentada na praça de alimentação observando de longe um homem de 27 anos oferecer lanche, milk shake e um ursinho de pelúcia para sua filha de 11 anos e a amiga dela, da mesma idade. Em uma ação planejada juntamente com a equipe de segurança do shopping e a polícia, as duas mães conseguiram prender o pedófilo que se aproximou das meninas pela rede social Facebook e, com isso, preservaram a infância de suas filhas.
 
“Você nunca imagina que isso vai acontecer com você. É um sentimento de revolta saber que existem pessoas assim, com o perfil de roubar a infância da sua filha, de alguém que não teve a chance de amadurecer. As meninas precisam de proteção, ainda não começaram a conhecer o mundo. Elas iam perder a infância, porque a criança fica vazia, perde a infância”, descreve Cristina.
 
A ação das mães interrompeu a prática de um crime muito comum que vem crescendo em Mato Grosso. Em janeiro deste ano, foi reativada a Gerência Especializada de Crimes de Alta Tecnologia (Gecat) para auxiliar as demais delegacias do Estado a lidar com crimes que envolvam o ambiente virtual. De acordo com o coordenador da Gecat, delegado Eduardo Botelho, 20% dos procedimentos recebidos pelo setor desde sua reativação diz respeito à pedofilia virtual.
 
“São crimes que acontecem quando ocorre a transmissão ou o compartilhamento de vídeos ou fotografias de crianças e adolescentes praticando atos sexuais ou em algum ato erótico”, explica o delegado.
 
São três os principais dispositivos legais que tratam da pedofilia virtual. O Código Penal traz em seu artigo 217-A o crime de estupro de vulnerável, que ocorre quando uma pessoa constrange menores de 14 anos à conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso. O artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90) estabelece que é crime produzir cenas de crianças e adolescentes em contexto erótico, seja por foto, vídeo ou outro meio. Por fim, há o artigo 241-A do ECA, que criminaliza o ato de compartilhar esse tipo de imagem envolvendo menores.
 
“O crime mais comum ocorre quando as pessoas, sem noção da origem ilícita dessa conduta, ficam compartilhando vídeos de crianças e adolescentes em contexto erótico, até mesmo com a intenção de ajudar as autoridades a esclarecer os fatos, mas elas também praticam esse crime”, aponta o delegado.
 
Cristina e Márcia* tiveram tempo de agir de forma preventiva graças à atenção que Márcia deu ao acesso de sua filha às redes sociais, a partir das observações da escola e de sua filha mais nova, de apenas oito anos, que notou a mudança de comportamento da irmã. Márcia encontrou todas as conversas do pedófilo com a filha de 11 anos, pedindo para ela usar brincos, maquiagem, gravar vídeos sensuais, e se passou pela filha até marcar o encontro com o suspeito. Quando ele foi detido na ação planejada entre as mães e as autoridades de segurança, foram encontradas outras crianças vítimas de pedofilia, por meio de provas no celular do suspeito.
 
“Nós ficamos muito abaladas, sem confiar em ninguém. Com isso, eu aprendi que você precisa estar próximo dos seus filhos, ser mais amiga, não se preocupar só com trabalhar e dar mais atenção a eles. Eu comecei a ser mais participativa e passar mais momentos com ela”, afirma Cristina
 

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